Escatologia Individual

quinta-feira, 7 de maio de 2009

a. A Morte Física

a.1 A Natureza da Morte Física

A Bíblia contém algumas indicações instrutivas quanto à natureza da morte física. Fala desta de várias maneiras, vejamos:

i. É descrita como a morte do corpo (Mt 10:28; Lc 12:4), em distinção da morte da alma (psiche). Ali o corpo é considerado como um organismo vivo, e a psyche é evidentemente o pneuma do homem, o elemento espiritual que constitui o princípio da sua vida natural.

ii. É descrita como o término da psyche, isto é, da vida animal, ou a perda desta (Mt 2;20; Mc 3:4; Lc 6:9; Jo 12:25; At 15:26).

iii. É descrita como a separação de corpo e alma (Ec 12:7 // Gn 2:7); Tg 2:26, idéia também básica em passagens como Jo 19:30; At 7:59; Fp 1:23).

Em vista disso tudo, pode-se dizer que, de acordo com a Escritura, a morte física é o término da vida física pela separação de corpo e alma. Jamais uma aniquilação. Deus não aniquila coisa alguma de sua criação. A morte não é uma cessação da existência, mas uma disjunção das relações naturais da vida. A vida e a morte não são antagônicas entre si como ocorre com a existência e a não existência, mas são mutuamente opostas somente como diferentes modos de existência.

a.2 A Relação Entre o Pecado e a Morte

Os pelagianos e os socinianos ensinam que o homem foi criado mortal, não meramente no sentido de que ele poderia cair presa da morte, mas no sentido de que, em virtude de sua criação, estava sob a lei da morte. Adão estava destinado a morrer, estava sujeito à morte antes de cair. Os defensores deste conceito eram movidos primariamente pelo desejo de fugir da prova do pecado original extraída dos sofrimentos e morte das crianças.

Alguns dos chamados pais primitivos da igreja e alguns teólogoa mais recentes, como Warburton e Laidlaw, assumem a posição de que Adão de fato foi criado mortal, isto é, sujeito à lei da dissolução mas que, no caso dele, a lei só foi efetiva porque ele pecou. Se ele tivesse comprovado a sua obediência, teria sido exaltado a um estado de imortalidade. Seu pecado não produziu nenhuma mudança em seu ser constitucional, nesse aspecto, mas, sob a sentença de Deus, fê-lo sujeito à lei da morte e o privou da dádiva da imortalidade, que poderia ter tido sem experimenta a morte.

Diremos nós que o absoluto poder de Deus, pelo qual o universo foi criado, não era suficiente para manter o homem com vida indefinidamente?além disso devemos ter em mente os seguintes dados da Escritura:

i. O Homem foi criado à imagem de Deus, e isto em vista das perfeitas condições em que a imagem de Deus existiu originariamente, por certo exclui a possibilidade de que trouxesse consigo as sementes da dissolução e da mortalidade.

ii. A morte física não é apresentada na Escritura como resultado natural da continuidade da condição original do homem, devido ao seu fracasso em não conseguir subir às alturas da imortalidade pelo caminho da obediência, mas, sim, como resultado da sua morte espiritual (Rm 6:23; Rm 5:21; I Co 15:56; Tg 1:15).

iii. As expressões bíblicas indicam a morte como uma coisa introduzida no mundo da humanidade pelo pecado, e como uma punição positiva pelo pecado (Gn 2:17; Gn 3:19; Rm 5:12,17; I Co 15:21; Tg 1:15).

iv. A morte é descrita como algo alheio e hostil à vida humana: é uma expressão da ira divina (Sl 90:7,11), um julgamento (Rm 1:32), uma condenação (Rm 5:16), e uma maldição (Gl 3:3), e enche os corações dos filhos dos homens de temor e tremor, justamente porque é tida como uma coisa antinatural.

Por estrita justiça, deus poderia ter imposto a morte ao homem no mais completo sentido da palavra imediatamente após a sua transgressão (Gn2:17). Mas, por sua graça comum, restringiu a operação do pecado e da morte,e , por sua graça especial em Cristo, venceu estas forças hostis (Rm 5:17; I Co 15:45; II Tm 1:10; Hb 2:14; Ap 1:18).

a.3 O Significado da Morte dos Crentes

A Bíblia fala da morte física como punição, como “o salário do pecado”. Dado, porém, que os crentes estão justificados e não estão mais na obrigação de prestar qualquer satisfação penal, surge naturalmente a questão: por que eles têm que morrer?

Não se pode dizer que a destruição do corp é absolutamente essencial para uma perfeita santificação, uma vez que isso é contraditado pelos exemplos de Enoque e Elias. Tampouco é satisfatório dizer que a morte liberta o crente dos males e sofrimentos da presente vida e dos estorvos do pó, livrando o espírito do grosseiro e carnal corpo atual. Portanto, a morte dos crentes deve ser considerada como a culminação dos corretivos que Deus ordenou para a santificação do seu povo. A própria idéia de morte, as aflições que cercam a morte, o sentimento de que as doenças e os sofrimento são prenúncios da morte, e a conseqüência da aproximação da morte – tudo isto tem um efeito benéfico sobre o povo de Deus. Serve para humilhar os orgulhosos, para mortificar a carnalidade, para refrear o mundanismo e para fomentar a mentalidade espiritual. Muitas vezes a morte é a prova suprema do vigor da fé que há neles, e com freqüência provoca extraordinárias manifestações de consciência de vitória precisamente na hora da derrota aparente (I Pe 4:12,13). Para os crentes, a morte não é o fim, mas o início de uma vida perfeita. Eles adentram a morte com a certeza do céu.

Quem sou eu

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Doutorando em Ciências da Religião (PUC-GO), Mestre em Ciências da Religião (PUC-GO), Licenciatura em Pedagogia (UVA-CE), História (UVA-CE), Matemática (UNIFAN-GO) e Bacharel em Teologia (FACETEN-Ro). Professor de Metodologia do Ensino da Matemática; Metodologia do Ensino das Ciências Naturais; Educação e Cultura; Fundamentos Epistemológicos da Educação e Educação, Sociedade e Meio Ambiente, Filosofia, Ética, Ciências Políticas (FANAP).

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